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Annam Brahma: A Alimentação como Gesto de Reexistência e Soberania Digestiva

  • Foto do escritor: Naradeva Shala
    Naradeva Shala
  • 23 de fev.
  • 4 min de leitura

Por Sabrina Alves


Tem um discurso em disputa na cultura do bem-estar: nas prateleiras do mercado espiritual e nas postagens métrica dos algoritmos, o Ayurveda tem sido reduzido a uma lista de "pode e não pode", ou ao uso dos doshas como se fossem identificação de signos do zoodiaco, e não estou criticando a astrologia, não. Só dizendo que a interpretação das funções dos Doshas com essa aplicação é MUITO equivocada.


Ainda existe na outra ponta, uma catalogação estéril de suplementos, e a uma busca neurótica por uma aplicação pura do Ayurveda impossível. Rejeito, de antemão, essa "nutrição ayurvédica" mercadológica que fragmenta a vida em porções e gramas. Até porque, não existe "nutrição Ayurvédica". Existe Ahara. Que é um conceito filosófico totalmente diferente da ciencia da nutrição. O que proponho aqui é um retorno à raiz ontológica: Annam Brahma. O alimento é a manifestação do Absoluto; comer é, portanto, um ato de comunhão e um gesto de soberania, de integração com as gunas a nossa volta e, também de meditação.


Na travessia da perimenopausa, nossa relação com o prato torna-se um território de disputa política e biológica. Se a modernidade nos ensina a contar calorias para manter um corpo que o capital considere útil, o Ayurveda nos convida a observar as qualidades (Gunas) e os sabores (Rasa) como ferramentas para modular o nosso Agni  (fogo digestivo) que, nesta fase, tende a oscilar sob o sopro irregular de Vāta.


O Agni como Guardião da Autonomia

Um Agni instável (Viṣamāgni) não prejudica apenas a digestão da comida, mas a digestão da própria vida. É ele quem determina o que vira tecido vivo (Dhātu) e o que vira resíduo (Āma). Quando comemos com pressa, sob o império da ansiedade ou diante de telas, estamos agredindo esse fogo sagrado.


Comer como um gesto de reexistência exige que reconheçamos as qualidades do que ingerimos. Na maturidade, buscamos o oposto da secura e do frio que nos circundam: buscamos o untuoso, o quente, o aterrador. O sabor doce (Madhura) — não o do açúcar refinado, mas o dos cereais integrais e das raízes — torna-se um bálsamo para o sistema nervoso. O azedo e o salgado, usados com parcimônia, despertam as enzimas e convidam o alimento a descer com suavidade.

meditação

O Comer como Ritual Meditativo

Transformar o Āhāra (alimentação) em um ritual não tem a ver com regras rígidas, mas com a vivencia ciclica com a passagens dos dias e das noites, das estações e conforme a passagem da vida. É sentar-se à mesa como quem ocupa o lugar da meditação. É mastigar o tempo. Quando olhamos para o prato e reconhecemos ali a inteligência da terra, o ato de nutrir-se deixa de ser uma tarefa mecanica, e torna-se uma nutrição consciente, capaz de sustentar não apenas o corpo-biológico, mas o corpo-espiritual, e, repito, esse espiritual é a capacidade em transcender junto a passagem do tempo.


Se o mundo lá fora tenta nos convencer de que nosso corpo está em declínio, respondemos com a suculência de um alimento bem temperado, com o calor de uma especiaria que desperta a vida e com a pausa necessária para digerir a nossa própria existência. Comer alimentos frescos é um rito de permanência e reverência à vida.


Sejamos arca!

Sabrina Alves


Fonte: ALVES, Sabrina. Perimenopausa e Ayurveda: ensaios e práticas para uma jornada de autonomia, corpos plurais e saberes ancestrais. 1ª ed. São Paulo: Editora Naradeva Prakashana, 2025.



sabrina

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Se a sabedoria ancestral do Ayurveda parece que lhe fará bem, e se sente a necessidade a aprofundar sua travessia na perimenopausa ou em qualquer outro ciclo da vida com um suporte verdadeiramente individualizado, uma orientação individualizada poderá lhe trazer a compreensão necessária.


Os atendimentos são um espaço seguro para você desvendar os sinais do seu corpo, alinhar sua rotina e redescobrir sua potência, com base nos princípios milenares que compartilhamos.


Livro

Organizar estes escritos não foi apenas um exercício técnico; foi um imperativo ético. Como terapeuta ayurvédica há quase 20 anos e pesquisadora, tenho testemunhado como a lógica de produção incessante tenta silenciar os corpos que não servem mais ao altar da fertilidade. Este e-book é o meu manifesto contra esse silenciamento.

Nesta obra, convido você a mergulhar no sandhyakala — o tempo de transição — como um rito de passagem legítimo e fértil. É um convite à sua soberania ontológica: o direito de existir em pleno repouso e não-utilidade, honrando sua liberdade e suas subjetividades específicas.


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Para celebrar este movimento de autonomia, ao adquirir o e-book principal, você recebe mais dois guias práticos (disponíveis gratuitamente por tempo limitado):


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É hora de habitar sua existência com soberania.


 
 
 

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