O Vento na Medula: A Anatomia da Insônia e o Resgate do Próprio Centro
- Naradeva Shala
- 9 de mar.
- 4 min de leitura
Tenho frequentemente informado a quem me procura para consultas, ou até mesmo em aula, dizer que a fase da perimenopausa é caracterizado por instabilidade. As pessoas sabem sobre isso. Mas não acho que entendam. O que significa dizer instável, significa dizer que ora temos determinados sintomas, ora temos outros. A diferença do estado crítico para àquele que está de acordo com a fase, é a intensidade dos sintomas e o tempo que duram. Então, sim, durante esse período, seguiremos sempre em fase de adaptação e buscando atenuar os sintomas para o bem-estar geral. E reforço que não há nenhuma necessidade em sofrer, existem muitas opções.
Um dos sintomas mais frequentes são aqueles despertares no meio da madrugada. Aquele intervalo entre as 3h e 6h da manhã onde o sono se dissolve e a mente, subitamente, torna-se um palco de sombras e inquietações.

Muitas pessoas acordam nesse horário com o coração em sobressalto ou com a sensação de que seus pensamentos ganharam uma velocidade que você não consegue mais acompanhar, mas saibam: o que você está vivenciando não é um erro de sistema, mas a linguagem visceral do aumento de Vāta em sua ecologia interna.
Na perimenopausa, o Ayurveda nos ensina que o envelhecimento (Jārā) é um processo natural de declínio de Kapha e subsequente intensificação de Vāta. Mas essa não é uma mudança apenas na superfície da pele ou no ritmo do ciclo; é uma reconfiguração que atinge o Majjā Dhātu que é o tecido da medula e do sistema nervoso.
A Secura que Obscurece a Mente
Imagine o sistema nervoso como um canal que necessita de untuosidade (Sneha) para que os impulsos fluam com clareza. Com o avanço da maturidade, a secura (Rūkṣatva) e a leveza (Laghutva) de Vāta começam a erodir essa lubrificação essencial. Quando o Majjā Dhātu desnutre, o vento, que o Ayurveda nomeia como o movimento errático do Prāṇa Vāyu — passa a soprar sem barreiras.
É dessa aridez que nasce a "névoa mental" e a dificuldade de memória. Não é que você esteja perdendo sua inteligência; é que o seu campo de discernimento está sendo atravessado por um excesso de mobilidade. A insônia da perimenopausa é, em última instância, o sistema nervoso tentando se equilibrar em um terreno que se tornou excessivamente seco e instável.
Pratyāhāra: O Ritual do Retorno
Como pacificar esse vento que insiste em nos desancorar? A resposta não está em mais estímulos, muito menos em dietas extremas e detox, mas na suspensão deles. O Ayurveda nos convoca ao Pratyāhāra, a retirada dos sentidos. Em uma fase onde o corpo se torna mais vulnerável a ruídos e luzes, buscar o silêncio e a redução de estímulos visuais após o entardecer não é um luxo, é uma necessidade do Prāṇa retornando ao seu núcleo: o Hṛdaya, o coração espiritual.
Para as noites insones, proponho o uso da tecnologia do pranayama Anuloma-Viloma, ao deitar-se, abandone a tentativa de controlar a mente pela força. Apenas acompanhe o sopro: inspire por uma narina, retenha, expire pela outra narina, manteha sem ar, inspire pela mesma narina, retenha...e assim, sucessivamente. e expire m. O foco na respiração funciona como uma âncora para o sistema nervoso, convidando o vento a ceder e a consciência a repousar no seu assento de direito.
Cuidar da sua medula é, antes de tudo, oferecer a si mesma o contorno e a segurança que o mundo lá fora nos nega. É permitir que o silêncio seja o seu mais profundo bálsamo.
Sejamos arca!
Sabrina Alves
Fonte: ALVES, Sabrina. Perimenopausa e Ayurveda: ensaios e práticas para uma jornada de autonomia, corpos plurais e saberes ancestrais. 1ª ed. São Paulo: Editora Naradeva Prakashana, 2025.

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