Vata e a Perimenopausa: Decifrando o Doṣa do Tempo e da Travessia
- Naradeva Shala
- 21 de jul. de 2025
- 6 min de leitura
Atualizado: há 2 dias
Como o Princípio do Movimento Tece Novos Fios no Sono, na Digestão, nas Emoções e no Desejo Durante Este Ciclo
Por Sabrina Alves
Se você tem a sensação de que algo se "soltou" por dentro – o sono que não chega, o apetite que oscila, o humor que flutua sem razão aparente, o foco que se esvai, a pele que pede mais atenção – talvez não seja apenas uma impressão passageira.
Pode ser Vata a se manifestar em sua plenitude, na perimenopausa, chamando a sua escuta: Na linguagem milenar do Ayurveda, Vāta é o princípio cósmico do movimento, a dança do vento e do espaço. Ele rege, com sua sutileza, tudo o que se desloca em nosso corpo e mente: o compasso da respiração, a torrente dos pensamentos, o ritmo intrínseco do ciclo menstrual, o peristaltismo vital, os impulsos nervosos que nos conectam ao mundo, a própria palavra que se manifesta.
Durante a perimenopausa, esse doṣa ascende, tornando-se uma força dominante em nossa constituição. E quando Vāta se desequilibra, a experiência pode ser de maior sutileza, ressecamento e instabilidade. No entanto, é fundamental compreender que isso não é um "problema" a ser combatido, mas sim um convite.
Vāta não chega para nos desconstruir; ele nos lembra, com a sabedoria dos ventos, que é tempo de reajustar o passo, de acolher uma nova cadência na melodia da vida.

O Que Vata Tece no Corpo?
De acordo com a ciência ayurvédica, nosso corpo é uma intrincada tapeçaria de cinco elementos primordiais: éter (akasa), ar (vayu), fogo (tejas), água (jala) e terra (pṛthvı). A combinação desses elementos dá origem aos três doṣas, as forças vitais que moldam nossa fisiologia e psique: Vāta, Pitta e Kapha.
Vāta é a fusão de éter e ar, o que confere a ele qualidades intrínsecas: seu movimento é rápido, ele é frio, seco, leve, sutil e irregular.
Quando Vāta encontra-se em seu estado de equilíbrio, experienciamos:
Uma mente que flui com criatividade e flexibilidade, adaptando-se às nuances da vida.
A respiração que se manifesta tranquila e profunda.
O fluxo menstrual que honra sua regularidade.
Um sistema intestinal que funciona com leveza e harmonia.
Um sono que chega, restaura e revigora profundamente.
Contrariamente, quando Vāta se agrava, suas manifestações podem ser percebidas como:
Insônia persistente ou um sono excessivamente leve e fragmentado.
Ansiedade, medos infundados e uma sensação de confusão mental.
Constipação, gases e o ressecamento que se insinua nos tecidos.
Dores articulares ou uma sensação difusa de instabilidade física.
Menstruações irregulares ou espaçadas, um ritmo que perde a sua familiaridade.
Aquela sensação perturbadora de "não estar aqui", de desancoramento.
A Ascensão de Vata na Perimenopausa: Uma Perspectiva Histórica e Biológica
O Ayurveda nos ensina que a própria vida humana se desdobra em três grandes fases, cada uma dominada por um doṣa específico:
Kapha: A fase da infância, marcada pelo crescimento, pela construção de estrutura e pela solidez.
Pitta: A idade adulta, período de ação, transformação intensa, e o fogo que impulsiona a realização.
Vāta: A maturidade, a época da interiorização, do desapego e do vento que leva o que não serve mais.
A perimenopausa é o marco, o limiar preciso que indica o início da fase Vāta. É a travessia do "fazer" para o "ser", do fogo da juventude e da produtividade para o ar da sabedoria e da introspecção.
Contudo, essa travessia nem sempre ocorre com o suporte e a compreensão que ela merece. Nossa cultura contemporânea, muitas vezes, nos impulsiona à aceleração constante, à secura das rotinas exaustivas e à fragmentação do ser – qualidades que, paradoxalmente, contribuem para o agravamento de Vāta. O resultado é um corpo em profunda transição, inserido em um mundo que, em sua pressa, falha em respeitar o tempo intrínseco da mudança e do amadurecimento.
Cultivando o Equilíbrio de Vāta na Perimenopausa: A Ciência da Harmonia
Decifrando o Doṣa do Tempo e da travessia, a sabedoria ayurvédica nos oferece um princípio fundamental para restaurar o equilíbrio dos doṣas: tratar o semelhante com seu oposto. Assim, se Vāta é frio, seco e leve, a terapêutica consiste em oferecer ao corpo e à mente o que é quente, úmido, estável e profundamente nutritivo.
Dicas Práticas para Acolher Vāta:
Alimentação que nutre e aquece: Priorize refeições mornas, úmidas e naturalmente oleosas. Sopas reconfortantes, caldos nutritivos e mingaus cremosos, enriquecidos com especiarias doces, são aliados poderosos.
Óleos que tocam a alma (Abhyanga): Adote a automassagem diária com óleo de gergelim morno, preferencialmente antes do banho. Este ritual ancestral nutre os tecidos, acalma o sistema nervoso e ancora Vāta.
O ritmo sagrado do sono: Procure estabelecer um horário regular para dormir, mesmo que o sono demore a chegar inicialmente. A consistência no horário de repouso é um bálsamo para Vāta.
Rotina estável (Dinācāryā): A regularidade nas refeições e nos horários de sono ajuda a criar um senso de estabilidade e a "ancorar" a natureza volátil de Vāta.
Menos estímulo, mais pausa: À medida que o dia declina, diminua gradualmente o ritmo das atividades. Permita-se momentos de quietude e recolhimento, preparando o corpo e a mente para o descanso.
Ervas aliadas: Ervas como Aśvagandhā, Jatāmāṃsī, Bala e Tulasī podem ser integradas à sua rotina, mas sempre com a orientação de um profissional ayurvédico qualificado.
Conclusão: Vāta, O Convite à Autenticidade. Vāta e a Perimenopausa: Decifrando o Doṣa do Tempo e da Travessia
Vāta é, por excelência, o doṣa da travessia. Ele nos convoca a uma leveza essencial, mas, ao mesmo tempo, nos pede que encontremos raízes profundas. Ele sussurra a importância do silêncio, mas também nos envolve em um calor reconfortante. Vāta nos incita a desapegar do que não serve mais – seja material, emocional ou conceitual – mas esse desapego é um processo, sem pressa, sem rigidez, e, acima de tudo, sem medo.
A perimenopausa é, em sua tessitura mais profunda, um retorno: um retorno ao corpo em sua sabedoria inata, um retorno ao respeito pelo tempo intrínseco de cada transformação, e, finalmente, um retorno ao centro de si. É a oportunidade de abraçar quem você está se tornando, com toda a beleza e profundidade que essa fase de vida oferece.
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Organizar estes escritos não foi apenas um exercício técnico; foi um imperativo ético. Como terapeuta ayurvédica há quase 20 anos e pesquisadora, tenho testemunhado como a lógica de produção incessante tenta silenciar os corpos que não servem mais ao altar da fertilidade. Este e-book é o meu manifesto contra esse silenciamento.
Nesta obra, convido você a mergulhar no sandhyakala — o tempo de transição — como um rito de passagem legítimo e fértil. É um convite à sua soberania ontológica: o direito de existir em pleno repouso e não-utilidade, honrando sua liberdade e suas subjetividades específicas.
Como afirmo no prefácio:
"Não é um livro sobre o fim, mas sobre a perimenopausa como um limiar de potência; um portal que a visão hegemônica, com sua lógica binária de produção e falência, se recusa a nomear de forma plena".
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O que você encontrará nesta jornada completa:
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A Ética da Reexistência: O uso do Dinācāryā (rotina) e do Āhāra (alimentação) como tecnologias de ancoragem e nutrição profunda.
Maturidade e Saber: O envelhecer como um retorno ao centro, onde a experiência se transmuta em sabedoria real (Jñāna).
Guia Prático de Autonomia: Ferramentas de manejo, incluindo oleação (Abhyanga), receitas para nutrir os tecidos (dhātus) e práticas para o sistema nervoso.
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Sabrina Alves
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Texto leve, didático e, ao mesmo tempo, poético. Adorei seu conteúdo e estilo. Por mais textos sobre esta fase tão desafiadora.