Perimenopausa pelo Olhar do Ayurveda: Uma Nova Dança com o Corpo, Sem Culpa, Sem Silêncio
- Naradeva Shala
- 14 de jul. de 2025
- 6 min de leitura
Atualizado: 28 de jan.
Uma nova forma de entender as mudanças do corpo – sem culpa, sem silêncio
Por Sabrina Alves
A maioria de nós só ouve falar da menopausa quando ela já chegou. E quase nunca ouvimos falar da perimenopausa, esse tempo de travessia em que o corpo começa a mudar, às vezes devagar, às vezes com força, e ninguém nos explicou o que estava acontecendo.
A verdade é que quase nenhum profissional está preparado para indentificar ou lidar com a infinidade e diversidade de sintomas que uma pessoa nessa fase irá apresentar.
É nesse silêncio ensurdecedor que o Ayurveda emerge como um farol, uma bússola ancestral a nos lembrar que o corpo tem suas próprias estações, seus ciclos perfeitos. E que cada fase carrega consigo uma beleza intrínseca, um calor particular, perguntas profundas e rituais que nos reconectam.
Uma sabedoria ancestral que nos lembra que o corpo tem estações. E que cada fase tem sua beleza, seu calor, suas perguntas, seus rituais.
Aliás, você irá me ouvir falar e me ler abordando o tema sobre a necessidade em “reencantar o Ayurveda”. É preciso, de fato. Mas isso será assunto para outra hora.
Se você tem sentido ondas de calor que chegam sem aviso, noites de sono que se desfazem, uma irritabilidade que antes não te pertencia, a menstruação que dança fora do ritmo, uma ansiedade latente ou aquela estranha sensação de "não me reconheço mais" – talvez seu corpo esteja a convocar-te para uma escuta mais atenta à perimenopausa.

O Que a Perimenopausa Revela?
A perimenopausa é, em essência, o período de transição que precede e se estende além da menopausa. Um tempo marcado por flutuações hormonais que, para o olhar ocidental, podem parecer meras disfunções, mas que, na perspectiva ayurvédica, desvelam profundas mudanças fisiológicas, emocionais e energéticas. Ela pode se manifestar discretamente por volta dos 38 anos, ou com mais ímpeto aos 45, estendendo-se por um período que varia entre 4 e 10 anos, ou até 15 anos.
Longe da simplória ideia de ser apenas uma "pré-menopausa", esta é uma fase plena, um ciclo com suas próprias marés, ritmos e revelações singulares. Para o Ayurveda, ela não simboliza um colapso hormonal, mas a passagem natural para uma nova etapa da vida, um tempo regido predominantemente pelo doṣa vāta – o princípio cósmico do movimento, do ar e do éter, que agora se eleva em nosso ser.
Quando Vāta se Intensifica: O Corpo em Plena Travessia
Vāta é a essência da leveza, da secura, do frio, da instabilidade. Quando esse doṣa se intensifica, o que é um movimento orgânico durante este período de vida, podemos sentir seus ecos em manifestações como:
Sono que se torna um desafio, com interrupções ou uma insônia sutil que rouba a quietude das noites.
A mente inquieta, permeada por ansiedade, esquecimentos fugazes e uma sensação de dispersão.
A digestão que pede mais atenção, com lentidão e gases que revelam um ritmo alterado.
Secura que se manifesta em tecidos, na pele que anseia por mais toque, nas articulações que clamam por lubrificação.
Menstruação irregular, ora escassa, ora com intervalos alongados, um compasso que se redefine.
Aquela sensação de “desalinhamento interno”, como se o eu profundo buscasse uma nova âncora.
Diante dessas manifestações, o Ayurveda nos propõe um caminho de sabedoria: em vez de fragmentar e combater os sintomas isoladamente, o convite é para acolher a totalidade do que se move no corpo. É oferecer-lhe, com carinho e intenção, rotinas, alimentos, toques e práticas que infundam calor, oleosidade, ritmo e a estabilidade tão necessária.
A Sabedoria dos Ciclos: O Tempo que se Revela
Na perspectiva ayurvédica, a própria vida é uma teia de ciclos, cada um regido por um doṣa predominante:
Infância (Kapha): O tempo da estrutura, do crescimento sólido, da base que se forma.
Idade Adulta Jovem (Pitta): A fase da intensidade, da produtividade, do fogo que impulsiona e realiza.
Maturidade (Vāta): O período da transformação, da interiorização, da sabedoria que floresce com a experiência.
A perimenopausa, portanto, é o limiar entre a fase pitta e a fase vāta. É o momento em que o fogo do "fazer" começa a ceder espaço ao vento da "sabedoria". É quando a mulher que se projetava no mundo exterior inicia uma profunda jornada para encontrar a mulher que reside na profundidade de seu ser. E sim, isso pode assustar, pode desorientar, mas, com a escuta e o acolhimento certos, pode ser uma das experiências mais libertadoras da vida.
Como o Ayurveda Se Manifesta em Ajuda?
O Ayurveda não oferece panaceias ou fórmulas mágicas, mas sim caminhos. Para essa fase de vida, os percursos se constroem através de:
Uma alimentação que abraça: quente, úmida, nutritiva, desenhada para aquecer e lubrificar os tecidos, nutrindo o corpo de dentro para fora.
A oleação (abhyanga) como um ritual diário: um gesto de autocuidado que acalma, nutre e enraíza, trazendo a estabilidade que vāta anseia.
Rotinas estáveis (dinācāryā): práticas diárias que trazem previsibilidade e segurança, acalmando a natureza mutável de vāta.
Ervas adaptógenas e rejuvenescedoras (rasāyana): aliadas da natureza que apoiam o equilíbrio hormonal e a vitalidade.
A escuta profunda: um convite à exploração emocional e espiritual, uma prática de reconexão com a própria essência.
O resgate do prazer e da libido: um fogo transformado, que não se apaga, mas se transmuta em uma nova forma de criatividade e conexão.
Nesse momento único da vida, o caminho é trilhado com pés descalços sobre a terra, com uma escuta ativa para os sussurros do corpo e da alma, e com mãos que se tocam com um cuidado que transcende o físico. É uma jornada de redescoberta, um convite à inteireza.
O mais importante é que ninguém que esteja passando por essa fase se sinta sozinha, seja porque os ciclos de mudança gradual da vida se instalaram, seja porque irá se sentir mais inteira escolhendo o caminho da terapia de afirmação de gênero (pessoas transgênero no contexto da supressão do estrogênio). Vamos em companhia.
Sabrina Alves é terapeuta ayurvédica com mais de 18 anos de atuação, Doutora e Mestre em Ciência da Religião pela PUC/SP, especializada em gênero e decolonialidade nos textos clássicos do Ayurveda. Oferece cursos, consultorias e atendimentos personalizados voltados à perimenopausa e menopausa.
Pronta para Mergulhar na Sua Jornada com o Ayurveda?
Se a sabedoria ancestral do Ayurveda parece que lhe fará bem, e se sente a necessidade a aprofundar sua travessia na perimenopausa ou em qualquer outro ciclo da vida com um suporte verdadeiramente individualizado, uma orientação individualizada poderá lhe trazer a compreensão necessária.
Os atendimentos são um espaço seguro para você desvendar os sinais do seu corpo, alinhar sua rotina e redescobrir sua potência, com base nos princípios milenares que compartilhamos.
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Organizar estes escritos não foi apenas um exercício técnico; foi um imperativo ético. Como terapeuta ayurvédica há quase 20 anos e pesquisadora, tenho testemunhado como a lógica de produção incessante tenta silenciar os corpos que não servem mais ao altar da fertilidade. Este e-book é o meu manifesto contra esse silenciamento.
Nesta obra, convido você a mergulhar no sandhyakala — o tempo de transição — como um rito de passagem legítimo e fértil. É um convite à sua soberania ontológica: o direito de existir em pleno repouso e não-utilidade, honrando sua liberdade e suas subjetividades específicas.
Como afirmo no prefácio:
"Não é um livro sobre o fim, mas sobre a perimenopausa como um limiar de potência; um portal que a visão hegemônica, com sua lógica binária de produção e falência, se recusa a nomear de forma plena".
Se você deseja envelhecer com dignidade e sem medo, este material é minha singela oferenda para você.
O que você encontrará nesta jornada completa:
A Crítica ao Paradigma: Uma genealogia de como a menopausa foi construída como patologia e a explicação técnica da intensificação de Vāta sob uma lente decolonial.
A Ética da Reexistência: O uso do Dinācāryā (rotina) e do Āhāra (alimentação) como tecnologias de ancoragem e nutrição profunda.
Maturidade e Saber: O envelhecer como um retorno ao centro, onde a experiência se transmuta em sabedoria real (Jñāna).
Guia Prático de Autonomia: Ferramentas de manejo, incluindo oleação (Abhyanga), receitas para nutrir os tecidos (dhātus) e práticas para o sistema nervoso.
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Sabrina Alves
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Ótimo texto!