A Soberania do Corpo-Vivido: Uma Escuta Radical na Travessia da Perimenopausa
- Naradeva Shala
- 26 de jan.
- 4 min de leitura
Atualizado: 27 de jan.
Ou o porque escrevi "Peri&menopausa e Ayurveda"
Por Sabrina Alves
Organizar esses escritos não foi apenas um exercício técnico; foi um imperativo ético. Como terapeuta ayurvédica a quase 20 anos e pesquisadora, tenho testemunhado atentamente como a modernidade, e a estrutura contemporânea em sua lógica de produção incessante, tenta silenciar os corpos que não servem mais ao altar da fertilidade ou da utilidade imediata. Logo, estes escritos são o meu manifesto contra esse silenciamento.
Minha abordagem no livro pretende ser a de uma parceria intelectual. Porque eu não vejo a perimenopausa, climatério e a menopausa, como uma "falência orgânica" ou um erro biológico que precisa ser consertado pela farmacologia. Pelo menos, não só. Ao contrário, eu a entendo como um sandhyākāla — um tempo de transição, um portal de potência que a visão hegemônica, com sua lógica binária de "produtivo versus obsoleto", se recusa a nomear plenamente.
Mas é lógico que passar por essa fase, atravessa-la, e estar na menopausa até que enfim ela se estabeleça é um enorme desafio. Pode ser dilacerante, de verdade. Não temos políticas públicas que, com uma abordagem multidiciplinar possam nos orientar, poucos são os profissionais preparados para compreender e atender as inúmeras sensações e desconfortos de moderados a severos que todas as pessoas irão passar. Desanimo, raiva, sensação de estar perdida e desanparada são só alguns dos muitos estados legítimos que sentiremos.
Por tudo isso, que a partir desse lugar, proponho instigar outras perspectivas para que você possa usar no exercício de desenvolver a autonomia. Ou seja, inspiração + a sua própria compreensão do que seu corpo e emoções estão vivenciando + tecnologias do Ayurveda para desenvolver sua travessia.
Nesta obra, eu convido você a uma soberania ontológica. O que isso significa? Significa reivindicar o direito de ser o que se é, em pleno repouso e não-utilidade, honrando sua liberdade para simplesmente existir, se assim você quiser.
Eu proponho um Ayurveda que não é um manual de regras rígidas, mas uma cosmologia do cuidado que nos devolve a autoridade sobre nosso próprio tempo.
Então, escrevo estas palavras como quem faz uma oferenda
Este e-book, que agora lanço com exclusividade, nasceu de um desconforto ético e de uma escuta radical de muitas vozes silenciadas que por anos, observei como a cultura hegemônica tentou enquadrar a perimenopausa como uma "falência orgânica" ou um "declínio estético". E, mais, de como a indústria do bem-estar insiste em dizer que acima de nossos sofrimentos está a grande possibilidade da "sabedoria". Não. Que possamos primeiro nos sentir bem, depois, eu vejo se quero ser baluarte dessa sabedoria toda.
Contra essa lógica binária de produção e utilidade, proponho uma travessia de reencantamento
Nesta obra, convido você a olhar para a perimenopausa como um sandhyākāla — que é esse tempo de transição. Logo, ele não é um manual de regras, mas um esforço de se estabelecer uma cosmologia do cuidado para quem deseja envelhecer com dignidade e soberania para ser o que quiser ser.
A Estrutura do Olhar: Entre o Ensaio e a Prática
O livro foi desenhado para ser uma jornada completa, unindo a teoria crítica à aplicação visceral no cotidiano:
A Crítica ao Paradigma (Parte I): Nos primeiros capítulos, faço uma genealogia de como a menopausa foi construída como patologia. Utilizo o Ayurveda para explicar tecnicamente a intensificação de Vāta e a reconfiguração tecidual, mas sempre sob uma lente decolonial, reconhecendo corpos cis, trans, não-binários e plurais como territórios legítimos de saber.
A Ética da Reexistência (Parte II): Aqui, o cuidado deixa de ser uma tarefa doméstica e passa a ser um gesto político. Discuto o Dinācāryā (rotina) e o Āhāra (alimentação) como tecnologias de ancoragem. Comer, nesta fase, deve ser um gesto terapêutico de nutrição profunda, não uma contagem de calorias.
Maturidade e Saber (Parte III): Exploro a ideia de envelhecer como um retorno ao centro. É o momento em que a experiência se torna sabedoria real (Jñāna), e o Ayurveda nos oferece o método para que esse processo seja de expansão, não de retração.
O Guia Prático de Autonomia (Parte IV): No capítulo final, entrego as "ferramentas de manejo". São orientações detalhadas sobre oleação (Abhyanga), receitas para nutrir os dhātus (tecidos) e práticas para acalmar o sistema nervoso em momentos de instabilidade.
Como afirmo no prefácio da obra:
"Nascem de um imperativo que transcende
a mera catalogação sintomatológica: o de iniciar uma
escuta radical dos corpos que a
modernidade científica e o capital insistem em silenciar."
Este e-book é minha oferenda para que você possa reencantar seu tempo e reivindicar sua própria travessia.
Que envelhecer seja, enfim, um verbo conjugado com coragem e deleite. E, justamente por isso, para comemorar o lançamento compartilho com quem adquirir MAIS DOIS LIVROS.
• E-book: 07 Dias de Rotina Ayurvédica para a Perimenopausa
Um roteiro simples e aplicável para organizar o dia, excitar Vata, sustentar o sistema nervoso e criar ritmo em meio às oscilações com mais de 30 páginas.
• E-book: Sono, Silêncio e Sexualidade
Um guia delicado e direto sobre descanso profundo, intimidade, prazer, limites e reconexão com o corpo na maturidade. Com cerca de 10 páginas.
Estes 2 e-books são bônus de lançamento e ficaram dispoíveis grautitamente por tempo limitado.
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Sejamos arca!
Sabrina Alves
Fonte: ALVES, Sabrina. Perimenopausa e Ayurveda: ensaios e práticas para uma jornada de autonomia, corpos plurais e saberes ancestrais. 1ª ed. São Paulo: Editora Naradeva Prakashana, 2025.




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