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Menopausa é Potência: As 5 Mentiras que Urgem Ser Desaprendidas Sobre Essa Fase

  • Foto do escritor: Naradeva Shala
    Naradeva Shala
  • 26 de jul. de 2025
  • 6 min de leitura

Atualizado: há 2 dias

Por Sabrina Alves

Por séculos, fomos condicionadas a enxergar a menopausa sob o prisma do temor. Um fim inegável, uma falha biológica, um colapso irreversível do corpo que menstrua. Mas, nesse silêncio imposto, nos foi silenciada a sabedoria do corpo que o Ayurveda, com sua sabedoria ancestral, nos revela: a menopausa não é ausência; é, antes de tudo, uma outra e profunda forma de presença.

Neste artigo, convido-te a um desaprender corajoso, a um mergulho nas maiores inverdades que nos foram contadas. Abriremos espaço, para uma visão mais ampla, justa e luminosa desse ciclo, resgatando a dignidade e a força que lhe são inerentes.



mulher indiana fazendo auto massagem
menopausa é potencia

Menopausa é Potência: As 5 Mentiras que Urgem Ser Desaprendidas Sobre Essa Fase


🚫 Mentira 1: “A menopausa é o fim da feminilidade”

Essa ideia, que teima em ecoar, é um ranço histórico da colonialidade e do patriarcado. Primeiro que a definição de feminilidade é cultural. Segundo que essa definição de feminilidade que insistem dizer que desaparece nos corpos que deixaram de menstruar, refere-se a utilidade que ele tem ou não para a sociedade.


Ensinaram-nos que a função de ser mulher que tem útero residia intrinsecamente na capacidade de gerar vida, de procriar. E, por essa lógica falha, quando a menstruação cessava, cessaria também sua expressão e, consequentemente, o apagamento daquela pessoa.

No entanto, o Ayurveda nos lembra que a vida é uma tapeçaria de ciclos. A fase Vāta – que se inaugura com a menopausa – não é um declínio, mas a fase da sabedoria acumulada, da palavra que se torna rito, do olhar que se aprofunda e transcende o superficial.

Quem se é, portanto, não morre; amadurece, expande-se, reorienta-se para dentro e para a sua própria potência. A pessoa na pós-menopausa é fértil de um modo distinto: é fértil de si mesma, da sua autenticidade desabrochada.


🚫 Mentira 2: “A menopausa destrói o desejo”

O que verdadeiramente aniquila o desejo não é o ciclo biológico, mas a forma como ele foi, por tanto tempo, construído e moldado socialmente. Um desejo que sempre se curvou ao outro, à performance, à incessante necessidade de “dar conta” das expectativas externas. Quando esse modelo se desfaz, de fato, o desejo parece evanescer.

Contudo, ele não desaparece; ele, simplesmente, muda sua linguagem. Na visão ayurvédica, o fogo (agni) do desejo se transmuta. Ele migra da urgência da pele para a profundidade dos olhos, da pressa da performance para a calma da contemplação. Pode se tornar mais lento, mais estável, sim – mas, acima de tudo, mais verdadeiro e autêntico.


🚫 Mentira 3: “É tudo culpa dos hormônios”

É inegável que os hormônios se alteram durante a menopausa. Mas classificá-los como os únicos vilões da história seria uma simplificação perigosa. A maneira como nos permitimos viver – sob o jugo do estresse incessante, com uma alimentação desequilibrada, sem tempo para o autocuidado e, muitas vezes, em isolamento – é o que, de fato, torna essa transição uma jornada árdua e desafiadora.

Para o Ayurveda, a menopausa jamais é concebida como uma doença. Ela é um rito de passagem, um portal. Se Vāta está agravado, nossa ação é acalmá-lo. Se o fogo digestivo (agni) enfraquecer, buscaremos fortalecê-lo. Se a secura se manifesta, vamos lubrificar e nutrir. Se a tristeza assombra, vamos acolhê-la sem julgamentos. O caminho não é de guerra contra o corpo, mas de presença consciente e compassiva.


🚫 Mentira 4: “Só existe um jeito de passar pela menopausa”

Cada corpo é um universo. Cada história de vida, um ciclo singular. E, por consequência, cada menopausa é uma travessia absolutamente única.

Haverá quem experimente intensas ondas de calor, enquanto outras não sentirão absolutamente nada. Há quem chore a cada esquina, quem ria de si mesma, quem se feche em introspecção ou quem desabroche em um florescimento inesperado. Tudo isso é legítimo. Tudo isso é você, em sua plenitude.

O Ayurveda nos impele a escutar o que é singular em cada ser. Não há menopausa "certa" ou "errada"; existe aquilo que clama por escuta atenta e aquilo que demanda espaço para simplesmente ser, em sua própria e irrepetível manifestação.


🚫 Mentira 5: “Depois da menopausa, a vida perde o sentido”

Pelo contrário, essa é uma das maiores falácias. É, em muitos casos, justamente após a menopausa que inúmeras mulheres – pela primeira vez em suas vidas – sentem que podem, enfim, viver para si mesmas, em sua plenitude.

Não é o fim do corpo, mas o começo da autonomia sobre ele e sobre a própria existência. Não é o fim do desejo, mas o despertar da escolha consciente sobre o que se deseja. Não é o fim da beleza, mas o crepúsculo da ditadura de um único e limitado padrão de beleza.

A menopausa é, em sua essência mais profunda, uma travessia rumo ao centro do ser. E, nesse centro, reside a potência indomável que ninguém jamais poderá nos arrancar.


mulher no entardecer

🌕 Conclusão

Atravessar este ciclo não é tarefa trivial, especialmente em um mundo que idolatra a juventude eterna e reprime a sabedoria inerente à pausa. Essas 5 Mentiras que Urgem Ser Desaprendidas Sobre Essa Fase, são só algumas. Contudo, é plenamente possível fazê-lo com dignidade, cercada de apoio e munida de conhecimento ancestral. É possível construir uma menopausa que seja viva, que não seja medicada até o silenciamento, mas sim nutrida, ritualizada, e profundamente reconhecida em sua sacralidade. Menopausa é Potência, então qual a boa notícia? Você não está sozinha nessa jornada. Ainda melhor notícia? Você tem em suas mãos a oportunidade de transformar este ciclo em um verdadeiro renascimento.


Fontes de Estudo e Referência:

  • Lad, Vasant. Textbook of Ayurveda: Volume One: Fundamental Principles. The Ayurvedic Press, 2002.

  • Svoboda, Robert E. Prakriti: Your Ayurvedic Constitution. Lotus Press, 1989.

  • Pole, Sebastian. Ayurvedic Medicine: The Principles of Traditional Practice. Singing Dragon, 2006.

  • Christiane Northrup, M.D. The Wisdom of Menopause: Creating Physical and Emotional Health and Healing During the Change. Bantam, 2001.

Sabrina Alves é jornalista, escritora, terapeuta ayurvédica com mais de 18 anos de atuação, Doutora e Mestre em Ciência da Religião pela PUC/SP, especializada em gênero e decolonialidade nos textos clássicos do Ayurveda. Oferece cursos, consultorias e atendimentos personalizados voltados à perimenopausa e menopausa.


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A Estrutura do Olhar: Entre o Ensaio e a Prática
O livro foi desenhado para ser uma jornada completa, unindo a teoria crítica à aplicação visceral no cotidiano:

A Crítica ao Paradigma (Parte I): Nos primeiros capítulos, faço uma genealogia de como a menopausa foi construída como patologia. Utilizo o Ayurveda para explicar tecnicamente a intensificação de Vāta e a reconfiguração tecidual, mas sempre sob uma lente decolonial, reconhecendo corpos cis, trans, não-binários e plurais como territórios legítimos de saber.


A Ética da Reexistência (Parte II): Aqui, o cuidado deixa de ser uma tarefa doméstica e passa a ser um gesto político. Discuto o Dinācāryā (rotina) e o Āhāra (alimentação) como tecnologias de ancoragem. Comer, nesta fase, deve ser um gesto terapêutico de nutrição profunda, não uma contagem de calorias.


Maturidade e Saber (Parte III): Exploro a ideia de envelhecer como um retorno ao centro. É o momento em que a experiência se torna sabedoria real (Jñāna), e o Ayurveda nos oferece o método para que esse processo seja de expansão, não de retração.


O Guia Prático de Autonomia (Parte IV): No capítulo final, entrego as "ferramentas de manejo". São orientações detalhadas sobre oleação (Abhyanga), receitas para nutrir os dhātus (tecidos) e práticas para acalmar o sistema nervoso em momentos de instabilidade.


Como afirmo no prefácio da obra:


"Nascem de um imperativo que transcende

a mera catalogação sintomatológica: o de iniciar uma

escuta radical dos corpos que a

modernidade científica e o capital insistem em silenciar."


Este e-book é minha oferenda para que você possa reencantar seu tempo e reivindicar sua própria travessia. 


Que envelhecer seja, enfim, um verbo conjugado com coragem e deleite. E, justamente por isso, para comemorar o lançamento compartilho com quem adquirir MAIS DOIS LIVROS.


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Um roteiro simples e aplicável para organizar o dia, excitar Vata, sustentar o sistema nervoso e criar ritmo em meio às oscilações com mais de 30 páginas.


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