Entre a Exaustão Coletiva e a Prioridade da Saúde Mental
- Naradeva Shala
- há 4 dias
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Por Sabrina Alves

O ano é 2026, as estatísticas estampadas em qualquer lugar nos confirmam o que nossa carne já sente: vivemos em um mundo emocionalmente exausto, onde a prioridade absoluta tornou-se o resgate do sono e da saúde mental. O luxo é ter tempo para não fazer nada. Mas ainda para pouquíssimas pessoas.
Mas, para nós, que habitamos a travessia da perimenopausa, essa exaustão não é apenas um dado estatístico; é uma manifestação da nossa própria ecologia interna, o mundo parece ter parado, mas a mente insiste em uma velocidade errática. Porque são muitas demandas. Estamos no entremeio da existência: muitas de nós lidam com seres em desenvolvimento, com filhos adolescentes em uma ponta, e o findar da vida com pais em final de vida. E nós, na curva, entre não ser mais como antes, e ainda não ser o que seremos.
O que a ciência médica rotula como "recessão estrogênica" ou "desregulação neuroendócrina", o Ayurveda nomeia com o peso e a leveza dos elementos. Estamos vivenciando a instabilidade do Prāṇa Vāyu — o movimento do vento que, ao perder seu ancoramento tecidual no Majja Dhatu (tecido nervoso), agita a consciência e dissipa o nosso Ojas, a essência da nossa imunidade e vitalidade.
Nesse cenário de "nevoa mental" e "insônia da hora maldita" (aquela entre as 3h e 4h da manhã), a modernidade nos oferece mais do mesmo: protocolos de performance e produtividade, agora maquiados de bem-estar. Contra isso, eu insisto em propor uma disciplina da desobrigação.
Porque embora haja uma explicação neurofisiológico tanto na ciencia médica, quanto no Ayurveda, existe outras dinâmicas que irão influenciar essa vivencia. E ela é sociocultural. O Ayruveda aborda esse ponto também. Eu quero explorar isso mais em outros textos. Mas antecipo que existe até um ramo dos estudos sociais que analisam a vivencia coletiva das pessoas ao redor da experiencia da menstruação e menopausa.
A Soberania do Descanso
A ansiedade e a dispersão mental que você sente não são falhas de caráter ou falta de disciplina. São linguagens de um corpo em transição que pede escuta. No Ayurveda, o envelhecer deve ser compreendido como um movimento de Pratyāhāra — a retirada dos sentidos do mundo externo para habitar o próprio centro.
Cuidar da mente neste limiar não é sobre "consertar" o que mudou, mas sobre reencantar o cotidiano por meio do ritmo. Quando alinhamos nossa rotina ao Dinācāryā, oferecemos contorno e segurança ao sistema nervoso. Então, não é usar esses recursos para voltar a ser o que se era. Antes precisamos encarar a fase do luto. Não seremos mais quem éramos. Eu sei que que algumas de vocês já passaram pela fase de dizer que "não me reconheço mais". Você está certa. Mas eu também não quero que você sinta o peso de se tornar o bastião da sabedoria pra ninguém. A menos que você queira. Mas se não quiser: desobrigue-se!
Um Gesto de Reexistência para Hoje:
Ah, mas até parece que fácil, né? Não é. E tem dias que serão mais do que desafiadores. Não há nenhum romantismo no que se passa na fase de perimenopasua, climatério, menopausa até finalmente chegar a pós-menopausa.
Se o vento da ansiedade soprar forte hoje, convido você à prática do So-Ham. Ao inspirar, mentalize "So"; ao expirar, mentalize "Ham". Não tente controlar o ar; apenas observe o som natural da vida pulsando em você. Esse mantra imita o som da própria respiração e é uma âncora poderosa para induzir o descanso profundo e reduzir a ansiedade.
Reivindicar o direito ao sono e ao silêncio é o primeiro gesto de resistência contra o tempo linear do capital. É reconhecer que você se pertence. Mas se hoje isso lhe parece uma grande bobagem, e você só quer se sentir bem, reivindique no verbo, abandone o silencio. Você está autorizada a gritar.
Sejamos arca!
Sabrina Alves
Fontes baseadas na obra: ALVES, Sabrina. Perimenopausa e Ayurveda: ensaios e práticas para uma jornada de autonomia, corpos plurais e saberes ancestrais. 1ª ed. São Paulo: Editora Naradeva Prakashana, 2025.
A Estrutura do Olhar: Entre o Ensaio e a Prática
O livro foi desenhado para ser uma jornada completa, unindo a teoria crítica à aplicação visceral no cotidiano:
A Crítica ao Paradigma (Parte I): Nos primeiros capítulos, faço uma genealogia de como a menopausa foi construída como patologia. Utilizo o Ayurveda para explicar tecnicamente a intensificação de Vāta e a reconfiguração tecidual, mas sempre sob uma lente decolonial, reconhecendo corpos cis, trans, não-binários e plurais como territórios legítimos de saber.
A Ética da Reexistência (Parte II): Aqui, o cuidado deixa de ser uma tarefa doméstica e passa a ser um gesto político. Discuto o Dinācāryā (rotina) e o Āhāra (alimentação) como tecnologias de ancoragem. Comer, nesta fase, deve ser um gesto terapêutico de nutrição profunda, não uma contagem de calorias.
Maturidade e Saber (Parte III): Exploro a ideia de envelhecer como um retorno ao centro. É o momento em que a experiência se torna sabedoria real (Jñāna), e o Ayurveda nos oferece o método para que esse processo seja de expansão, não de retração.
O Guia Prático de Autonomia (Parte IV): No capítulo final, entrego as "ferramentas de manejo". São orientações detalhadas sobre oleação (Abhyanga), receitas para nutrir os dhātus (tecidos) e práticas para acalmar o sistema nervoso em momentos de instabilidade.
Como afirmo no prefácio da obra:
"Nascem de um imperativo que transcende
a mera catalogação sintomatológica: o de iniciar uma
escuta radical dos corpos que a
modernidade científica e o capital insistem em silenciar."
Este e-book é minha oferenda para que você possa reencantar seu tempo e reivindicar sua própria travessia.
Que envelhecer seja, enfim, um verbo conjugado com coragem e deleite. E, justamente por isso, para comemorar o lançamento compartilho com quem adquirir MAIS DOIS LIVROS.
• E-book: 07 Dias de Rotina Ayurvédica para a Perimenopausa
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Um guia delicado e direto sobre descanso profundo, intimidade, prazer, limites e reconexão com o corpo na maturidade. Com cerca de 10 páginas.
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